Sexta, 22 de Agosto de 2014
 

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Como deixei de crer na reencarnação

Mensagem postada no Grupo de Estudo Urantia Brasil, em 31/Julho/2003, por Icon.


Olá

Apesar de todo carinho e respeito que tenho pelo Espiritismo, religião que me orientou por tantos anos, gostaria de explicar como ocorreu minha mudança de paradigma através do estudo do Livro de Urantia, e mostrar como abandonei a crença reencarnacionista.

Os amigos do fórum podem corrigir alguma informação que porventura esteja incorreta ou imprecisa.

A personalidade é um dote singular, de natureza original, cuja existência independe e antecede a efusão da Centelha Divina. Personalidades podem ser similares, mas nunca idênticas. As pessoas de um determinado grupo, tipo, ordem ou padrão podem se parecer umas com as outras, e de fato se parecem, mas elas nunca são idênticas.

A personalidade é essa feição do indivíduo que conhecemos e que nos torna possível identificar tal indivíduo no futuro, independente da natureza e do grau de mudança na forma, mente ou estado espiritual. A personalidade é aquela parte de toda pessoa que nos permite reconhecê-la e identificá-la de forma positiva como aquela que conhecemos anteriormente, não importa o quanto tenha mudado em virtude da modificação do veículo de expressão e manifestação de sua personalidade.

A personalidade das criaturas distingue-se por dois fenômenos característicos, que se manifestam por si mesmo no comportamento e reação do mortal: a autoconsciência e, associada à esta, a relativa livre vontade.

A efusão da personalidade é uma prerrogativa exclusiva do Pai Universal, a Fonte de Todas as Personalidades. E Ele concede personalidade a numerosas ordens de seres conforme estes operam nos diversos níveis da realidade universal.

Da mesma forma, Deus, em sua grandeza, faz contato direto com o homem mortal e dá uma parte de seu ser infinito, eterno e incompreensível para viver e morar dentro dele. Esta dádiva Divina, chamada  Ajustador de Pensamento (fragmento espiritual do Pai), é uma fração PRÉ-PESSOAL da essência absoluta de Deus, que habita na mente do homem, mas que não possui personalidade.

Os Ajustadores não são seres criados; eles são entidades fragmentadas constituindo a presença real do Infinito Deus dentro do homem. “O Reino de Deus está dentro de vós”.

Os Ajustadores são divindade não-diluída e não-misturada; inqualificável e não-atenuada parte da Deidade. Eles vêm de Deus, e até onde podemos perceber, ELES SÃO DEUS. É a presença desta Centelha Divina que eternamente realiza a verdade de que Deus é o Pai do homem.

O espírito interior (o Ajustador) sendo uma fração absoluta da própria essência perfeita divina, está virtualmente imune ao erro e completamente livre do pecado (erro consciente e premeditado).  O espírito então busca a personalidade através da sua união definitiva com o hospedeiro humano; e o homem busca a DIVINDADE e ETERNIDADE  através da sua união com o espírito. Quando o homem segue a liderança deste espírito interior, que na prática significa fazer a Vontade de Deus, ele consegue se eternalizar, alcançar a sobrevivência.

Mas o homem, sendo de natureza quase que totalmente material e de origem animal, e habitado por uma partícula divina da mais pura realidade espiritual conhecida no universo, se encontra numa poderosa tensão: os instintos naturais herdados de sua natureza material e o impulso, o puxão que o Ajustador exerce a fim de espiritualizar a sua natureza humana.

Tal situação, esta condição dual de pertencer à natureza e ainda ser capaz de transcender a natureza, de ser finito e habitado por uma partícula do infinito, aliado ao fato do nascer puro e ignorante e possuir livre-arbítrio, ocasiona muita ansiedade e origina o mal potencial. E é graças à colaboração efetiva com o espírito interior, que o homem consegue tomar as decisões morais e fazer as escolhas espirituais que permitam esta união definitiva entre Deus e o homem;  entre o Ajustador eterno e pré-pessoal e o homem mortal e pessoal, se livrando desta condição dual.

Desta eterna fusão deus-homem surge, então, um novo ser, exclusivo e original, dotado de valores e significados singulares, um verdadeiro filho do Homem e filho de Deus, único por toda eternidade.

Porém quando vemos nos jornais notícias tenebrosas de assassínios, crimes, violência, quando nos deparamos com a crueldade, a ambição, o orgulho e a vaidade humana, não acrediteis que isso seja obra do espírito interior. Por ser uma fração absoluta de Deus compartilhando de toda sua perfeição, sabedoria e amor, o espírito nunca poderia ser capaz de tais atos horripilantes. Todo este mal é fruto da mente humana que não obedece a comovente e amorosa liderança da Centelha Divina interior, e quando o orgulho e arrogância aparecem, então este mal se transforma em pecado.

Portanto, o preço a pagar pela vida eterna é a aceitação da filiação divina e do plano de ascensão ao Paraíso; e inclui aceitar a orientação do divino espírito residente, que representa para nós a Vontade Divina: amor, serviço e fidelidade.

Fidelidade é a constatação óbvia que alguém não pode receber tanto (a vida eterna) e não dar nada em retribuição. Compartilhar é divino. Somente pela preguiça,  pelo egoísmo e através do orgulho alguém pode perder a vida eterna. E quando isso ocorre, então se cumpre que “daquele que não possui valores de sobrevivência, será tomado até o experimentado Ajustador que ele agora possui, enquanto para quem deseja a vida eterna, será dado até toda a experiência que o Ajustador do preguiçoso desertor possuía”.

E desta forma o espírito passa vida após vida, habitando uma pessoa por vez , até que uma delas resolva se unir definitivamente com ele. E quando tal fato sucede, o contemplado ganha até mesmo toda memória e experiência que tenham valores espirituais de sobrevivência dos antigos hospedeiros, que por algum motivo tenham rejeitado a aventura eterna. NADA QUE TENHA VALOR NO UNIVERSO É PERDIDO.

Mas é muito raro o mesmo Ajustador habitar duas pessoas diferentes no mesmo mundo. Tão raro que no nosso planeta aconteceu apenas uma vez. Logo as supostas memórias de vidas passadas não são nossas, elas pertenceram, em boa parte dos casos, a pessoas que rejeitaram a união com o Ajustador.

É importante lembrar que os Ajustadores não ganham experiência apenas habitando mortais que rejeitaram a vida eterna; eles também ganham valiosa experiência habitando mortais que não tem o potencial de fusão com o Ajustador, mas fusionam-se com outras partículas pré-pessoais: do Filho Eterno ou do Espírito Infinito. Os Ajustadores neste caso são apenas emprestados temporariamente e melhoram sobremaneira a vida destas pessoas (até mais do que as nossas), porém não existe possibilidade de fusão nestes casos.

Para concluir, alguém pode estar tecnicamente correto quanto ao fato, mas definitivamente errado quanto à verdade. O espiritismo está correto quando percebe que espíritos realmente habitam em pessoas diferentes, mas está errado quando interpreta isso como reencarnação.

Assim, que fique claro o seguinte: caso seu espírito “reencarne”, isso sinaliza que você perdeu a vida eterna, e que outra pessoa, outra personalidade, ficará com tudo que você desprezou e rejeitou.

Mas não há motivos para ansiedade, quem deseja de todo coração a sobrevivência eterna sempre acaba por consegui-la, e a vasta maioria dos mortais acaba por sobreviver, mesmo que ainda possuam muitas imperfeições. O único perigo que pode comprometer perigosamente a eterna aventura é o orgulho arrogante. Muito egoísmo também é potencialmente suicida.

Finalmente então fica explicado como um espírita que fui, pude deixar de crer em reencarnação.

 
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